Sexta-feira, Março 28
O filósofo Pierre Lévy ministrará a palestra "As Conseqüências da Teoria da Inteligência Coletiva para a Educação" no próximo dia 15 de maio, no Congresso Educar/Educador 2003, em São Paulo (SP). O evento traz outros pensadores estrangeiros e nacionais para falar de educação. O programa completo está disponível no site do congresso. Pretendo cobrir o evento todo para o Inter.mezzo. Vamos aguardar. *** Para alunos da PUC: o Marco Panhoni apurou que os funcionários da PUC-SP estão em greve. E que informações sobre as xérox de textos podem ser obtidas na Coordenadoria de Comunicação do Cogeae por meio do telefone (011) 36730518. Parece que os professores irão decidir, nesta sexta, se aderem ou não à manifestação. Vale a pena ficar de olho.
Quarta-feira, Março 26
Em resposta aos comentários acredito que devemos entender de forma diferente dois cenários que se misturam no dia-a-dia das redações. De um lado, seja qual for a política da empresa, seja qual for o estilo do profissional e seja qual for a faculdade do jornalismo cursada (além de cursos extras, etc.) é claro que existe um gap entre competências e habilidades existentes e aquelas idealmente necessárias para explorar todos os recursos que a web oferece em termos de criação narrativa. Sobre este tema acho que vale uma discussão à parte, levando-se em conta que mudanças ou inovações curriculares são inevitáveis.
Do outro lado está a questão das resistências e barreiras impostas pelos profissionais. Todos sabem que a postura resistente e corporativa é histórica na profissão jornalística. Mudanças paradigmáticas anteriores, como a introdução de computadores nas redações prá falar de uma das mais recentes, provocaram reações “motinescas” muito além do tamanho da realidade, não apenas entre os coleginhas brasileiros, mas também no exterior. Parece-me que é algo inerente à entidade jornalista, fazendo com que muitos pairem acima dos demais cidadãos do mundo.
O que se tem em mãos é como quebrar resistências, ultrapassar obstáculos e integrar quem está atrás da trincheira. Em meu livro que vai ser lançado em breve faço um apanhado das ocorrências nas grandes corporações multimídia globais, Brasil inclusive. Existe de tudo. Por exemplo, a CNN praticamente impôs “por decreto” através de comunicado formal do presidente que todos seus jornalistas deveriam produzir para web, TV, rário, etc., o The New York Times fez várias tentativas, desde criar empresas web em separado (que obviamente não funcionou) até indicar um dos jornalistas mais tradicionais do seu grupo executivo (mas super aberto a inovações) para conduzir o processo redacional para muitas mídias. No Brasil, generalizando, prevalece a postura o mais tradicional possível.
Temos muito a caminhar.
Do outro lado está a questão das resistências e barreiras impostas pelos profissionais. Todos sabem que a postura resistente e corporativa é histórica na profissão jornalística. Mudanças paradigmáticas anteriores, como a introdução de computadores nas redações prá falar de uma das mais recentes, provocaram reações “motinescas” muito além do tamanho da realidade, não apenas entre os coleginhas brasileiros, mas também no exterior. Parece-me que é algo inerente à entidade jornalista, fazendo com que muitos pairem acima dos demais cidadãos do mundo.
O que se tem em mãos é como quebrar resistências, ultrapassar obstáculos e integrar quem está atrás da trincheira. Em meu livro que vai ser lançado em breve faço um apanhado das ocorrências nas grandes corporações multimídia globais, Brasil inclusive. Existe de tudo. Por exemplo, a CNN praticamente impôs “por decreto” através de comunicado formal do presidente que todos seus jornalistas deveriam produzir para web, TV, rário, etc., o The New York Times fez várias tentativas, desde criar empresas web em separado (que obviamente não funcionou) até indicar um dos jornalistas mais tradicionais do seu grupo executivo (mas super aberto a inovações) para conduzir o processo redacional para muitas mídias. No Brasil, generalizando, prevalece a postura o mais tradicional possível.
Temos muito a caminhar.
Este não é um blog da (ou para a) PUC, mas acho que vale a pena inserir aqui os links indicados na aula de Jornalismo Multimídia desta quarta-feira: "Dado, Informação, Conhecimento e Competência", de Valdemar W. Setzer, "Learning Network", do N.Y.Times, MIT Media Lab, Financial Times e InterMidia. Extras: página do professor Gabriel Cohn e livro "On the Internet", de Hubert L. Dreyfus. Esqueci algo? Comentem!
Terça-feira, Março 25
Acredito que a questão de como formar o novo profissional da informação deva partir de uma estrutura curricular ainda não configurada em nosso cenário de faculdades de comunicação. Vemos algumas experiências como os curso Multimeios da PUC, ou o Audiovisual da ECA, mas nada focado no profissional que tem na base os preceitos do jornalismo, mas que deverá exercer tais preceitos numa diversidade de linguagens.
Para refletirmos sobre o assunto, sugiro um livro publicado pelo Chairman da Tribune Co., Jack Fuller, que foi por anos diretor geral de redação do Chicago Tribune, e participou de todo o processo de introdução da mídia digital na empresa. O livro chama-se “News Values in the Information Age”. Tem na Amazon.
Para refletirmos sobre o assunto, sugiro um livro publicado pelo Chairman da Tribune Co., Jack Fuller, que foi por anos diretor geral de redação do Chicago Tribune, e participou de todo o processo de introdução da mídia digital na empresa. O livro chama-se “News Values in the Information Age”. Tem na Amazon.
Estamos a nove semanas no ar. E agora vou retomar um post publicado na primeira semana que tem a ver com os questionamentos apresentados abaixo. Trata-se do projeto "Os elementos da narrativa digital", trabalho desenvolvido na Escola de Jornalismo da Universidade de Minnesota. Lá eles fazem um distinção clara entre "multimedia" e "multiple medias". O primeiro termo se refere ao cruzamento de diferentes mídias numa mesma narrativa digital. O segundo, também diz respeito ao uso de diferentes mídias, mas desta vez apresentadas em canais separados, sem comunicação. A pergunta que não cala já foi apresentada por Beth e Marli: quais novas competências os profissionais da informação devem adquirir para produzirem narrativas em diversos meios, ou em diversos suportes mediáticos? E mais: como formar esse profissional ?
Domingo, Março 23
Na Folha do último domingo, 16 de março, o caderno de TV trouxe um depoimento do jornalista e escritor australiano Phillip Knightley, ex-repórter do Sunday Times e autor de The first Casualty, livro sobre o declínio da reportagem de guerra independente. Ele afirmou: "Duvido que a imagem de uma iraquiana carregando uma criança morte seja veiculada nos canais de TV dos EUA". Pois bem, as imagens estão na web para quem quiser ver. O site na Al Jazeera apresenta uma galeria de fotos de civis supostamente mortos pelos ataques estadunidenses que ocorreram neste sábado (22). Entre eles, diversas crianças. Como o site está em árabe, não consigo identificar mais dados. Mas as imagens falam por si. Aviso: é extremamente chocante.
Sexta-feira, Março 21
Infelizmente a Guerra é o assunto do momento e pelo visto teremos muitas oportunidades de acompanhar pela mídia (TV, Internet e imprenssa) os desdobramentos desse lamentável acontecimento. Levantando o assunto da convergência das mídias, notei durante as transmissões audiovisuais advindas da região do conflito, a utilização de vídeos com compressão e definição caracterísiticas da Internet de baixa velocidade (baixa resolução de vídeo, mas com o áudio aceitável). As condições desfavoráveis e o congestionamento dos canais de transmissão obrigam os enviados de guerra a optarem por priorizar o áudio, mantendo uma qualidade inferior de vídeo e ganhando em arquivos menores com transmissões mais rápidas. O interessante é a utilização dessas imagens pelas emissoras de TV sem ao menos explicar aos telespectadores o motivo de tamanha má qualidade. Parece que a corrida pelo audiovisual mais quente que o concorrente encontrou um aliado: o vídeo de baixa qualidade. O telespectador desatento que busque a resposta.
Quinta-feira, Março 20
Olá pessoas! Voltando aos primórdios da narrativa hipermidiática, tudo só foi possível pelo hipertexto, pela interatividade, pelo conceito de "clicar" e entrar em outros caminhos. Quem já não ouviu falar que as notas de rodapé nos livros foram os primeiros "links"? Pensando na televisão, o Castelo Rá-Tim-Bum foi um programa que utilizou e muito bem esse conceito de "link" onde, ao chegar em determinados pontos do Castelo ou por tomar determinadas atitudes os telespectadores eram levados para outros caminhos, longe da trama principal, mas não se desvinculando totalmente. É claro que é um tentavida completamente rude, sem interatividade nenhuma, mas o interessante é que o conceito já estava lá.
Terça-feira, Março 18
Pessoal, vamos colocar um pouco mais de lenha nesta fogueira da narrativa digital. Aproveitando os comentários da Dani e da Carol, vemos que são possíveis dois olhares quando falamos de narrativa digital. O primeiro foca o uso de ferramentas – hipertexto, áudio, imagens, infográficos, animações; e de recursos tecnológicos – interatividade, busca, fóruns, chats, etc. de forma adequada para narrar fatos e integrar usuários na web. Nesse caso, estamos em busca de um estilo narrativo que explore ao máximo tais condições, ou seja, estamos buscando caracterizar os campos do jornalismo digital e do ciberjornalismo. Também estamos buscando definir uma espécie de “cardápio” do exercício profissional de excelência na mídia internet. O segundo olhar foca os aspectos da terminologia e sua amplitude. Assim, por exemplo, o que diferencia o jornalismo multimídia do webjornalismo? Seria a capacidade do jornalista em transitar por diferentes mídias – jornal, rádio, TV, internet – e produzir conteúdos típicos para cada uma delas? Ou seria a discussão de um conjunto de novas competências que os profissionais da informação deveriam adquirir para produzirem para qualquer suporte mediático?
Guerra EUA x Iraque. Não podemos ignorar esse assunto aqui. Principalmente porque será mais um grande "espetáculo" na mídia. O Comando Central dos Estados Unidos já preparou, em Qatar, um palco de 1,2 milhão para conceder entrevistas coletivas durante os ataques. Não por acaso, o design da estrutura ficou a cargo de um cenógrafo de Hollywood, George Allison. Em Qatar já estão instalados mil jornalistas, grande parte vinculada as cinco maiores emissoras de TV dos EUA: CBS, ABC, NBC, Fox e CNN (cabo). Elas prometem, assim que começar a guerra, chegar a 72 horas ininterruptas de programação. Se tudo permenecer como está hoje, os dados serão atualizados, na web, no “minuto-a-minuto” com pouca ou nenhuma diferença de site para site noticioso. A partir daí, devem certamente se disseminar em páginas pessoais, em weblogs; trechos de informação serão recortados e encaminhados via email. O palco está pronto: devemos ficar atentos ao show e ao descontrole das informações no caos da Internet.
O Inter.mezzo agora conta com uma lista de discussão. A idéia é que jornalistas, estudantes de jornalismo, designers e outros profissionais tenham a chance de se encontrar para continuar os debates iniciados aqui no weblog. Interessado? Insira seu email no box ao lado.
Domingo, Março 16
Acabou o Carnaval, retomamos o ritmo de aulas....Falando sério: gostaria de abrir a temporada de discussões colocando uma categorização do jornalismo na web que venho adotando, depois de muitas buscas em trabalhos de outros pesquisadores, profissionais de mercado e de minhas experiências pessoais na área. Apesar da diversidade de termos - jornalismo online, webjornalismo, jornalismo eletrônico, em tempo real - penso que podemos agregar as ações de jornalismo na web em 3 categorias: jornalismo online, caracterizado como uma atividade de mera transposição dos conteúdos e formatos impressos ou audiovisuais para a web, sem grandes tratamentos narrativos; jornalismo digital, sendo aquele decorrente de criação de conteúdo original para sites informativos, com forte uso da hipermídia; e o ciberjornalismo, considerado com o jornalismo de autor levado à grande rede. Nessa última categoria posiciono os blogs.
Terça-feira, Março 11
Um final inesperado para um dos melhores projetos multimídia dos últimos tempos. O programa Blog do Tas foi retirado do ar pela direção da Brasil 2000 - rádio que veiculava o programa - alegando alto custos da produção. Era de estranhar que o Blog não tinha anunciantes, com intervalos curtos apenas institucionais. Mas isso é incompetência do departamento de mídia da emissora, já que o projeto era excelente. A Brasil 2000 ganhou muito conceito ao oferecer programas inteligentes, que saíam do arroz-feijão das FMs. Além de música, programas como Na Geral e Blog do Tas tinham informação, entretenimento - e prncipalmente no Blog - reflexão. O Blog do Tas envolvia a participação dos ouvintes por meio do blog, dava notícias e também música, servindo de "calmante" para o trânsito caótico de SP. No horário da tarde, o Na Geral cumpria o mesmo papel. Perder o Na Geral para a Band foi compreensível. Deixar de veicular o Blog alegando alto custos de uma equipe diminuta mostra a perda de rumo da direção da rádio, que vai ser mais uma no Dial. Desculpem-me pelo post longo, mas fica minha indignação, pois toda a vez que a mídia consegue colocar vida inteligente, vem sempre uma onda para derrubar. Mas, como o próprio Tas afirmava, nem tudo é lixo na mídia e tenho a convicção de que alguém com visão vai devolver o programa ao ar.
Dois recados. O primeiro vai para a comunidade. O site Comentar.com.br está em manutenção. Isso significa que os visitantes poderão checar e tecer comentários no Inter.mezzo a partir das 18 horas desta terça (11). O segundo aviso vai para os pós-graduandos de Jornalismo Multimídia da PUC-SP: terá início nesta quarta (12) a disciplina "Informação e Tecnologia", ministrada pela Profa. Beth Saad.
Sexta-feira, Março 7
Falei rapidamente dos foto-blogs. Agora é a vez de citar os áudio-blogs e dos vídeo-blogs. Já que envolvem, ambos, recursos multimídias, vamos lá. A lógica é a mesma dos weblogs, óbvio: posts, opiniões e comentários freqüentes. Um exemplo interessante: o site de Jish, um cientista canadense de origem indiana que conta suas histórias em voz alta. Posts em MP3.
Terça-feira, Março 4
Estar na sociedade virtual é um fato a ser analisado em diversos ângulos, mas partindo de uma das raízes que é o acesso, pode-se reconhecer uma distância cada vez maior entre o real urbano(físico) e o real ciber(virtual). A sociedade virtual cresce constantemente e aqueles possuidores de conexão em banda larga com condições sócio-técnicas de mantê-las e reciclá-las em seus lares estão mais propensas a participarem ativamente do ciberespaço do que aquelas detentoras de acesso discado e/ou banda larga em seus locais de trabalho/residência. Esse "domínio" das ferramentas e do conhecimento provoca um novo apartheid sociocultural e econômico privilegiando uma elite cibertecnológica, criando uma nova categoria de miséria: a dos elimináveis!. É preciso incluir esses, e não somente, na linguagem dita básica após nossa língua natal: a da informática dos anos 90. Dessa maneira contribui-se para a diminuição de mais uma exclusão: a dos ciberexcluídos.
Como o NYTimes.com consegue produzir material multimedia de qualidade em cima das notícias de última hora ? Quem levanta a questão é Steve Outing, em "Breaking-news Multimedia: Not an Oxymoron", texto publicado no site Editor&Publisher. A primeira constatação interessante do autor: as apresentações multimídia do NYTimes.com são sempre similares, pois são geradas por um único template. A idéia, segundo o editor-chefe do jornal, Len Apcar, é que os profissinais se foquem no conteúdo, e não no formato, já pré-definido pelo template. E outra: a equipe de jornalistas não precisa ser expert em Flash, por exemplo, para produzir rapidamente um material multimedia de qualidade. Além disso, conta Apcar, cria-se uma identidade: os usuários já reconhecem quais reportagems multimedia foram produzidas pelo NYTimes.com. O texto de Outing segue falando de como a equipe de produtores e jornalistas multimedia se relaciona com a redação. Veja na íntegra, em inglês.
Domingo, Março 2
Inicio hoje minha participação no Inter.mezzo. É com enorme prazer que vejo no ar a criação da Dani, Marco e Carol - ex-alunos do lato-sensu da PUC. Prá dizer pouco, um trio envolvido, motivado e empreendedor e o Inter.mezzo tem tudo prá virar referência.
O tema narrativas digitais é o foco central para quem pretende trabalhar com informação na web. Nessa linha, o Sesc-SP, através do SescOnline sempre faz eventos interessantes. Dessa vez a proposta é o Mídia Tática Brasil, semana de workshops que inicia em 7 de março próximo com uma mesa redonda sobre as perspectivas de interação das comunidades em rede. Nesse dia vai estar presente, entre outros nomes, o Richard Barbrook, coordenador do Hypermedia Research Center, da Universidade de Westminster, em Londres. Um dos papas da linguagem digital.
Imperdível. Inscrições online em www.sescsp.org.br. Cliquem no banner do Mídia Tática Brasil.
O tema narrativas digitais é o foco central para quem pretende trabalhar com informação na web. Nessa linha, o Sesc-SP, através do SescOnline sempre faz eventos interessantes. Dessa vez a proposta é o Mídia Tática Brasil, semana de workshops que inicia em 7 de março próximo com uma mesa redonda sobre as perspectivas de interação das comunidades em rede. Nesse dia vai estar presente, entre outros nomes, o Richard Barbrook, coordenador do Hypermedia Research Center, da Universidade de Westminster, em Londres. Um dos papas da linguagem digital.
Imperdível. Inscrições online em www.sescsp.org.br. Cliquem no banner do Mídia Tática Brasil.

