Terça-feira, Abril 29
Ouvi pessoalmente a indignação de Manuel Carlos Chaparro sobre alguns mestrandos estarem defendendo o fim do jornalismo após o "advento" do weblog e da utilização por qualquer usuário. Ele disse que tudo isso é uma tremenda besteira e perguntou quem é o jornalista, afinal. Considerando que ele é uma assumidade acadêmica e está fora do mercado de trabalho online e pensando na tecnologia Wiki, qual é o futuro do jornalismo? Teremos que vender cerveja na praia?
Os colegas que se manifestaram, acertaram a questão que propus no dia 08/04. O editor internacional que entrevistei também não tem resposta para a ausência da América Latina no jornalismo brasileiro, mas acredita que uma das soluções para reverter o quadro é dada pelos recursos tecnológicos da Internet. Ele cita a cobertura da Rio +10 e de outras conferências internacionais em que os jornalistas forma equipados com câmeras digitais e transmitiam as imagens via Web, como se fosse videoreporteres, na verdade webvideoreporteres. Na opinião do editor, se mais jornalistas espalhados pelo mundo tivessem esses equipamentos, a oferta de material seria muito maior e a mídia não estaria mais tão presa às Agências. Mesmo assim há ainda dois problemas: cada vez mais o jornalista é obrigado a fazer mais funções, quase que voltando ao jornalista primitivo (aquele que fazia reportagem, escrevia, imprimia e distribuía o jornal) e o outro ainda é a predisposição da mídia em receber esse tipo de material. Eu posso estar no Chile e ser convidado por um telejornal a fazer algumas imagens, por exemplo, das eleições. A qualidade dessas imagens e o foco que vou dar à notícia podem não ser os preferidos pela mídia.
Segunda-feira, Abril 28
Indico para os colegas uma "reportagem interativa" feita pela MSNBC, intitulada "Rebuilding Iraq". Durante a apresentação de slides, no meio de narrativa, eles convidam os usuários a responderem uma série de enquetes -- dão sete segundos para que haja a participação -- do tipo "o que você faria para manter a ordem no Iraque?". A narrativa continua a mesma após as enquetes, independentemente do que foi respondido pelo usuário. Ou seja, não é lá muito interativa, como parece. Mas a idéia da enquete bem contextualizada e amarrada é interessante. Vale a pena dar uma olhada.
Quarta-feira, Abril 16
Seminário sobre direitos autorais na web.
Caros, a Faculdade de Direito de Harvard possui um centro de pesquisas sobre direitos e liberdades no ciberespaço - The Berkman Center for Internet & Society que desde 1997 vem promovendo eventos muito pertinentes e de referência na área. O próximo evento será em Stanford, Califórnia, entre os dias 30 de junho e 4 de julho/2003. é um seminário de verão que vai tratar das questões da lei de direitos autorais na internet. Destacam-se como palestrantes a mesma dupla que em Março passado debateu sobre inclusão digital no evento do SESC-SP: Gilberto Gil e John Perry Barlow, da EFF- Electronic Frontier Foundation. As inscrições e maiores detalhes sobre o seminário estão no site. A conferir.
Caros, a Faculdade de Direito de Harvard possui um centro de pesquisas sobre direitos e liberdades no ciberespaço - The Berkman Center for Internet & Society que desde 1997 vem promovendo eventos muito pertinentes e de referência na área. O próximo evento será em Stanford, Califórnia, entre os dias 30 de junho e 4 de julho/2003. é um seminário de verão que vai tratar das questões da lei de direitos autorais na internet. Destacam-se como palestrantes a mesma dupla que em Março passado debateu sobre inclusão digital no evento do SESC-SP: Gilberto Gil e John Perry Barlow, da EFF- Electronic Frontier Foundation. As inscrições e maiores detalhes sobre o seminário estão no site. A conferir.
Domingo, Abril 13
Olá web-amigos
Aceitei com muito prazer participar desse blog. Conheci Daniela num evento em São Paulo quanto lancei meu livro Sala de aula interativa (Quartet, 2000). Alí nasceu uma amizade que se fortaleceu online. Agora fortalecemos ainda mais essa amizade aqui torcendo para que se amplie entre os participantes desse ambiente valioso. Dani me convida para colaborar com o tema interatividade, o que faço com muito interesse, pois trata-se de assunto que continuo a pesquisar. De início partilho minha visão do que seja esse termo tão banalizado (existe propaganda de shampoo ''interativo", tênis "interativo", microondas "interativo"... e por aí vai). No livro procurei limpar um pouco o conceito buscando aquilo que poderia considerar seu sentido mais genuíno. Aqui vai:
Interatividade é a modalidade comunicacional que caracteriza a era digital, a cibercultura e a sociedade da informação. É a comunicação que se faz entre emissão e recepção entendida como co-criação da mensagem. Grande salto qualitativo em relação ao modo de comunicação de massa que prevaleceu até o final do século XX. Desbanca a lógica unívoca da mídia de massa, oxalá como superação do constrangimento da recepção passiva.
Um produto, uma comunicação, um equipamento, uma obra de arte, são de fato interativos quando estão imbuídos de uma concepção que permite ao usuário-interlocutor-fruidor a liberdade de participação, de intervenção, de criação. Exemplo: o músico que quiser gravar um CD interativo deverá inserir nele disposições para maiores interações além da mera audição. Ele poderá permitir ao usuário escolher para onde a música vai caminhar, acompanhada por tais ou quais instrumentos, incluindo aí possibilidades de modificações ou inclusões. Assim, o CD supõe a disponibilização consciente de um mais comunicacional de modo expressamente complexo presente na música e previsto pelo músico, permitindo ao fruidor responder ao sistema de expressão e dialogar com ele.
Vista desse modo, a interatividade não é meramente um novo modismo. Há críticos que vêem mera aplicação oportunista de um termo “da moda” para significar velhas coisas como diálogo e reciprocidade. Há outros acreditando que interatividade tem a ver com ideologia publicitária, estratégia de marketing, fabricação de adesão, produção de opinião pública. E há também aqueles que dizem jamais se iludir com a interatividade entre homem-computador, pois acreditam que, por trás de uma aparente inocência da tecnologia amigável, “soft”, progride a dominação das linguagens infotécnicas sobre o homem. Sem dúvida, aqui estão críticas pertinentes. No entanto, há muito mais a dizer sobre esse conceito emergente.
Aceitei com muito prazer participar desse blog. Conheci Daniela num evento em São Paulo quanto lancei meu livro Sala de aula interativa (Quartet, 2000). Alí nasceu uma amizade que se fortaleceu online. Agora fortalecemos ainda mais essa amizade aqui torcendo para que se amplie entre os participantes desse ambiente valioso. Dani me convida para colaborar com o tema interatividade, o que faço com muito interesse, pois trata-se de assunto que continuo a pesquisar. De início partilho minha visão do que seja esse termo tão banalizado (existe propaganda de shampoo ''interativo", tênis "interativo", microondas "interativo"... e por aí vai). No livro procurei limpar um pouco o conceito buscando aquilo que poderia considerar seu sentido mais genuíno. Aqui vai:
Interatividade é a modalidade comunicacional que caracteriza a era digital, a cibercultura e a sociedade da informação. É a comunicação que se faz entre emissão e recepção entendida como co-criação da mensagem. Grande salto qualitativo em relação ao modo de comunicação de massa que prevaleceu até o final do século XX. Desbanca a lógica unívoca da mídia de massa, oxalá como superação do constrangimento da recepção passiva.
Um produto, uma comunicação, um equipamento, uma obra de arte, são de fato interativos quando estão imbuídos de uma concepção que permite ao usuário-interlocutor-fruidor a liberdade de participação, de intervenção, de criação. Exemplo: o músico que quiser gravar um CD interativo deverá inserir nele disposições para maiores interações além da mera audição. Ele poderá permitir ao usuário escolher para onde a música vai caminhar, acompanhada por tais ou quais instrumentos, incluindo aí possibilidades de modificações ou inclusões. Assim, o CD supõe a disponibilização consciente de um mais comunicacional de modo expressamente complexo presente na música e previsto pelo músico, permitindo ao fruidor responder ao sistema de expressão e dialogar com ele.
Vista desse modo, a interatividade não é meramente um novo modismo. Há críticos que vêem mera aplicação oportunista de um termo “da moda” para significar velhas coisas como diálogo e reciprocidade. Há outros acreditando que interatividade tem a ver com ideologia publicitária, estratégia de marketing, fabricação de adesão, produção de opinião pública. E há também aqueles que dizem jamais se iludir com a interatividade entre homem-computador, pois acreditam que, por trás de uma aparente inocência da tecnologia amigável, “soft”, progride a dominação das linguagens infotécnicas sobre o homem. Sem dúvida, aqui estão críticas pertinentes. No entanto, há muito mais a dizer sobre esse conceito emergente.
Terça-feira, Abril 8
Colegas e internautas,
depois de um tempo de geladeira voltei para pedir ajuda para minha dissertação de mestrado. Meu assunto é o Jornalismo e América Latina, meu tema é a cobertura da imprensa brasileira sobre América Latina e meu problema é descobrir por que a América Latina não tem espaço no jornalismo brasileiro. Agradeço o envio de contatos de editores de internacional e de especialistas do assunto )principalmente professores e autores de livros). Lembrem-se de latino-americanos não são só chilenos, argentinos e peruanos. BRASILEIROS também pertencem à América Latina. E para não ficar totalmente fora do tema do blog, aí vai uma provocação. Em entrevista, um editor de Internacional me confessou que tem vontade de dar mais espaço para América Latina, porém, não há uma agência internacional que gere, além de notícias, imagens, que são fundamentais para a TV, o mesmo acontece com fotos. Por que isso acontece e de que forma a Internet pode solucionar esse problema. A resposta para a ajuda da Internet o editor já me forneceu, mas antes de divulgá-la gostaria da opinião dos companheiros.
depois de um tempo de geladeira voltei para pedir ajuda para minha dissertação de mestrado. Meu assunto é o Jornalismo e América Latina, meu tema é a cobertura da imprensa brasileira sobre América Latina e meu problema é descobrir por que a América Latina não tem espaço no jornalismo brasileiro. Agradeço o envio de contatos de editores de internacional e de especialistas do assunto )principalmente professores e autores de livros). Lembrem-se de latino-americanos não são só chilenos, argentinos e peruanos. BRASILEIROS também pertencem à América Latina. E para não ficar totalmente fora do tema do blog, aí vai uma provocação. Em entrevista, um editor de Internacional me confessou que tem vontade de dar mais espaço para América Latina, porém, não há uma agência internacional que gere, além de notícias, imagens, que são fundamentais para a TV, o mesmo acontece com fotos. Por que isso acontece e de que forma a Internet pode solucionar esse problema. A resposta para a ajuda da Internet o editor já me forneceu, mas antes de divulgá-la gostaria da opinião dos companheiros.
Segunda-feira, Abril 7
No conflito EUA X Iraque temos visto a cobertura online de jornalistas ditos "encaixados", que permanecem no front de batalha em cima de tanques (e/ou trincheiras) e transmitem informações sobre o andamento das tropas, dizendo a cada instante a tomada de áreas estratégicas. Também somos informados (ou desinformados) pelos serviços ditos "de informação" iraquianos, sobre a retomada de áreas pelo exército iraquiano. Em uma guerra, a informação passa a ser considerada tática e a disputa pela percepção mundial torna-se essencial. Em entrevista à Folha de S.Paulo deste último domingo ( 06.04.2003, Mundo. pág. A24), o filósofo Paul Virilio ressalta a importância do controle no campo de percepção do público em uma guerra, sendo até mesmo mais que no próprio campo de batalha. Mas como podemos analisar a informação de um lado somente? Essa guerra pela percepção mundial entre os lados conflitantes não estaria mais próxima da propaganda?
Quarta-feira, Abril 2
A pedido da editora (e amiga!) desta comunidade, vou inaugurar meu primeiro post falando do assunto que praticamente me rendeu um casamento: RPG. Óbvio que a explicação fica para outro blog. Por aqui, o enfoque é interatividade. Quem joga talvez não tenha a noção do quanto essa palavra se faz presente no Role Playing Game, mas o fato é que a brincadeira caracteriza-se pela criação coletiva de histórias, cujo produto inexiste antes de seu desenrolar. Tudo de forma tão envolvente, que alguns "visionários" resolveram levar a metodologia (posso chamar assim!?) para a sala de aula, como forma de estimular os alunos. Aqui, levanto a polêmica: será possível implantá-la também no jornalismo online, incitando a participação do usuário ao dar-lhe voz ativa? Vale pela diversificação de fontes? Como fica a credibilidade? Quem não entende nada de RPG, antes de palpitar, pode dar uma navegada pelos sites RPG & Educação e Simpósio de RPG e Educação - ou, ainda, esperar pelo XI Encontro Internacional de RPG, realizado em São Paulo e Curitiba, geralmente, no mês de maio.
Terça-feira, Abril 1
O novo site do Estadão está na mira da lista de discussão "Jornalismo Multimídia", do Inter.mezzo, e acho interessante jogar no weblog algumas questões que surgiram durante as reflexões do grupo: o que realmente mudou na arquitetura da informação do site? Que novidades podemos perceber com relação à categorização dos conteúdos? Onde entra a interatividade nessa nova proposta? Comente, opine: o que você achou?

