Intermezzo

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Segunda-feira, Setembro 29

Dois lançamentos literários superimportantes para nossa área, ambos pela Jorge Zahar. "A Galáxia da Internet", de Manuel Castells, e "Emergência", de Steven Johnson. O primeiro é do responsável pela clássica trilogia "A Era da informação", já o segundo é o último livro do autor, do não menos clássico, "Cultura da Interface". Leituras mais que obrigatórias e agora sem a desculpa do idioma ;-)

Domingo, Setembro 28

Mary Kato, baseando-se em teóricos da cognição e da inteligência artificial, acredita que há dois tipos básicos de processamento da informação: o top-down (descendente) e o bottom-up (ascendente). O primeiro seria não-linear, utilizando a dedução das informações não-visuais para sua aquisição, no sentido da macro para a microestrutura. O segundo seria o inverso, da micro para a macroestrutura, linear e indutivo das informações visuais, construindo o significado através da análise e síntese do significado das partes. Considerando que há esses dois processos distintos e que, dependendo da narrativa, esses processos podem se misturar, como pensar em uma cobertura para a internet que responda à todas as perguntas do usuário sobre determinado assunto, sendo eficaz no processo de aquisição de informação e construção do conhecimento? O profissional da internet está preparado para isso? E se estivesse teria tempo para pensar em uma cobertura que atendesse à todas as necessidades cognitivas do usuário? [KATO, Mary (1999) "O aprendizado da leitura". SP: Martins Fontes].

Quinta-feira, Setembro 25

O cérebro humano teria uma capacidade comparável à de toda internet, segundo artigo da revista Science. No Brasil, a matéria foi antecipada pelo Folha Online. Destaco principais trechos: “O cérebro humano não é uma rede de informações fixa, já estabelecida e limitada, mas uma rede dinâmica que se adapta constantemente para atender às demandas de comunicação, cujo córtex tem uma capacidade potencial de tráfego de informações comparável à capacidade de todos os backbones --estruturas centrais-- que a internet possuia no final de 2002, segundo cientistas do Instituto Salk e da Universidade de Cambridge. "Essa é uma era importante para o entendimento de como o cérebro funciona. Há uma tremenda quantidade de informação distribuída por regiões distantes do cérebro. De onde ela vem? Para onde vai? Como o cérebro lida com ela? São perguntas que não conseguimos responder até agora. Mas acredito que, ao longo da próxima década, começaremos a desenvolver algumas respostas", afirma Terrence Sejnowski, do Instituto Salk.

Segunda-feira, Setembro 22

Segunda-feira, dia 22/09/2003, Tim Berners-Lee, o inventor da WWW, fará uma conferência na Real Sociedade Britânica com o tema "The Future of the World Wide Web". Em sua palestra, ele comentará sua visão sobre o estado atual da web e como ele a enxerga sendo algo muito maior que uma ferramenta de comunicação e pesquisa. O evento acontece às 18 horas (GMT) e será transmitido via streaming pelo site da organização.

Sábado, Setembro 20

Está no ar o site oficial do poeta Vinícius de Moraes. Produções poéticas, prosas, letras de músicas, críticas de cinema, fotos, trechos de música estão disponíveis online gratuitamente. Destaque para a seção interativa "Faça sua antologia": usuários, após cadastramento, podem criar a própria antologia de poemas e textos de Vinicius de Moraes; ela fica armazenada no site para que o usuário e o público possam consultá-la a qualquer tempo. Mais informações aqui.

Quarta-feira, Setembro 10

O caderno Mais!, do jornal Folha de S. Paulo (07/09/03), traz um texto que trata da teoria das redes sem escala. Redes sem escala como a Internet ou como a rede de contágio de uma doença entre as pessoas. Ou ainda, como revela o artigo, a "rede" usada pelo Vaticano no século 13 para acabar com o avanço da heresia. O autor, Michael Brooks, diz que as propriedades dessas redes foram desvendadas há menos de cinco anos por Albert-László Barabási, professor de física na Universidade de Notre Dame em Indiana (EUA), quando ele usou um software-robô para analisar as conexões entre sites na internet. Trecho bem interessante: "Barabási esperava que o robô revelasse que os sites se conectam entre si de forma aleatória. De acordo com um ramo da matemática chamado de teoria dos gráficos, a maioria dos sites teria mais ou menos o mesmo número de conexões (ou links). Mas Barabási ficou chocado quando o robô descobriu que muitos sites estão conectados a apenas alguns poucos, enquanto um número muito pequeno de sites têm um número enorme de links. Uma vez que nenhum número de links predominava, como ele imaginara antes, Barabási batizou a rede de 'sem escala'. Nos últimos anos, a compreensão das redes sem escala transformou a maneira como os cientistas vêem um conjunto impressionante de sistemas físicos e biológicos, de ecossistemas a doenças e relações sexuais. Esses estudos mostram, por exemplo, que uns poucos "nódulos" bem conectados na rede -sejam eles pessoas, computadores, vírus ou outros organismos biológicos- são cruciais para sua operação. Sem esses nódulos, a estrutura da rede se esboroa. Graças a essa percepção, fica muito mais fácil enfrentar a disseminação de uma doença ou analisar as fraquezas da internet". Fica aí pra reflexão.

Quarta-feira, Setembro 3

A partir deste mês de setembro, o Observatório da Imprensa começa a publicar um guia para jornalistas e entusiastas interessados em montar um arquivo próprio de notícias, para consultas offline, ou seja, sem depender de internet. É um guia didático, com exemplos e modelos de situações, além de algumas explicações técnicas. O material está dividido em nove partes. Cada parte será publicada toda terça-feira à noite, no site do Observatório. A primeira pode ser conferida aqui. Esse guia também passa a fazer parte da base de dados da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, a Abraji.