Os caminhos que levam às bolhas nos pés
Vamos lá. Das exposições da segunda (29), primeiro dia do encontro do Congreso Iberoamericano de Periodismo Digital, faço referência aqui à apresentação de Enrique Otero, editor do jornal chileno La Tercera. O gajo se propôs a responder à questão: “Como organizar uma redação de um webjornal com apenas oito pessoas?”. E o fez. Segue um esquema do que Otero nos contou a partir de sua experiência latinoamericana:
O orçamento: 8 mil dólares.
Os objetivos: 1. Criar um ritmo de atualização constante de notícias; 2. Aproveitar ao máximo o material do impresso e 3. Encontrar um diferencial diante da concorrência (online).
As decisões tomadas: 1. Colocar a equipe da redação do jornal online dentro da redação do jornal impresso, lado a lado mesmo; e 2. Criar a figura de um “Editor Web” que também participasse das reuniões de pauta do impresso e pudesse decidir em conjunto quais pautas seriam tocadas por quais equipes e de que maneira o fariam.
A estrutura da equipe: 1 Editor, 2 Redatores, 2 Repórteres (de rua), 1 Editor “nocturno”(plantão), 1 Infografista e 1 “Diseñador”.
As primeiras conquistas: 1. Furos de reportagem (e credibilidade); e 2. de um modo geral, o reconhecimento de que a publicação online cumpria o seu papel de jornal.
Os primeiros problemas: 1. Estresse da equipe; 2. “Brigas” entre as equipes do impresso e do online (pelas pautas, por decisões de embargo etc.); e 3. Uma certa desmotivação.
Se tivessem mais 5 mil, o que fariam? 1. Apostariam da interatividade, na multimidialidade (sobretudo no que diz respeito aos áudios captadas pela equipe do impresso) e contratariam o que eles chamam de repórteres de “motocicleta”, ou seja, jornalistas que vão às ruas à caça de notícias e depois passam as informações (por telefone, internet etc.) para a redação.
Vamos agora ao pensamento bem apurado do simpático professor José Luis Orihuela, da Universidad de Navarra, o qual apresentou nesta terça (30) um trabalho intitulado "O impacto dos weblogs sobre o ecossistema midiático". Segue abaixo os apontamentos que fiz a partir da apresentação dele. (Há muitas outras informações e enlaces disponíveis aqui no blog eCuaderno).
* Weblogs podem ser...Weblogs de mídias, weblogs como formato de coberturas, weblogs de jornalistas, weblogs sobre mídia e jornalismo, weblogs como fontes para as mídia.
* A blogosfera pode ser um filtro.
* Os weblogs são um outro meio.
* Weblogs não são jornalísticos apenas por serem weblogs.
* Weblogs não vão substituir o jornalismo e nem outros meios. Os meios têm funções complementares.
* Os weblogs são apenas a parte mais visível de uma tendência emergente (e aqui acho que Orihuela invoca McLuhan).
* Vivemos em um novo ecossistema midiático (ver “We The Media” e “We Media”)
* Os usuários são protagonistas.
* Temos (ou teremos?) informação e opinião em diversos formatos.
* Temos (ou teremos?) um saber coletivo.
* Antes tínhamos a fórmula do “primeiro se filtra e depois se publica” e, para já, o inverso: “primeiro se publica e depois se filtra”.
* Forma horizontal: de cidadãos para cidadãos.
Obviamente que houve tantas outras interessantíssimas comunicações e dentro deste rol coloco a da Universidade do Minho realizada pelo professor Luis António Santos (do Atrium) e a do colega de Mestrado Fernando Zamith (ver resumo), ambas rondando também o tema Weblogs, embora com outros enfoques. Também os participantes do encontro puderam acompanhar a apresentação do brasileiro Rosental Calmon Alves, da Universidade do Texas (Knight Center) -- e foi realmente uma pena não ter chegado a tempo de assisti-lo.
No geral, ficou-me a sensação de que as discussões acadêmicas em torno do tema Jornalismo Digital estão avançando a passos largos. Mas há muito chão e ainda nem fomos presenteados com algumas bolhas nos pés. O usar ou descartar a “pirâmide invertida” em notícias ciberjornalísticas -- para ficar em apenas um exemplo -- ainda gera deliciosas controvérsias.
Para quem quiser saber mais: o blogueiro Antonio Delgado, do Caspa.tv – uma figuraça – , fez a cobertura do evento em tempo real. Deixo aqui o link para os interessados conferirem o resultado de seu esforço. Também no Jornalismo & Comunicação há algum comentário do Prof. Manuel Pinto, por aqui.
Para finalizar, deixo um beijo aos blogueiros que conheci no Bloggers and Beers e um abração aos companheiros de peregrinação até Santiago. Agora, cama! Inté. :)


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