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Sábado, Janeiro 29

Castells aglutina "banda digital" do V FSM

(Porto Alegre, BR Press) - Um encontro aparentemente inusitado tornou-se um dos painéis mais concorridos do V Fórum Social Mundial. Em um amplo salão próximo ao Cais do Porto de Porto Alegre, junto ao rio Guaíba, cerca de 900 pessoas – professores e estudantes de comunicação, defensores de software livre, profissionais envolvidos nos mais diferentes projetos digitais – reuniram-se para acompanhar o debate protagonizado pelo sociólogo catalão Manuel Castells; o ministro da Cultura Gilberto Gil; o ex-letrista da legendária banda Grateful Dead, John Perry Barlow; o advogado norte-americano, Lawrence Lessig, organizador da Creative Commons e Christian Ahlert, do Oxford Internet Institute, da Universidade de Oxford, e da Creative Commons, na Inglaterra. A convergência entre os cinco palestrantes é a (silenciosa) revolução digital, ora em marcha de forma desigual em praticamente todos os países do mundo.

Para Castells, radicado em Berkeley e responsável por uma série de pesquisas mais abrangentes sobre as mudanças digitais ocorridas a partir da internet, a luta pela liberdade no novo espaço virtual é não só permanente, como premente. Sua trilogia Era da Informação, com mais de 1.500 páginas, e o livro Galáxia da Internet, que faz um “up-grade” da trinca, é referência quase que obrigatória entre todos os estudiosos da comunicação contemporânea.

Castells transita com desenvoltura entre a análise acadêmica e os problemas práticos do mundo de hoje. “O que aconteceu em Genebra, no ano de 2004, em que os governos de todo o mundo – liderados pelo governo chinês - estavam basicamente preocupados em encontrar formas de controle da informação que circula na internet, foi um escândalo”, alerta.

Embate de forças

Reportando-se à história ainda recente deste novo meio de comunicação de massas, Castells argumenta que, por pouco, a internet não nasceu sob o guarda-chuva da AT&T. A empresa de telecomunicações achou a nova mídia contra-producente comercialmente, assim como a Microsoft, que também perdeu o bonde dessa história, desdenhando da internet em seu início.

Para o sociólogo catalão, há um embate que está longe de terminar entre as forças mais conservadoras – quase sempre associadas a governos – e as forças renovadoras, que querem fazer da nova mídia uma plataforma livre de controles externos, burocráticos ou de governos.

Lógica digital

Gilberto Gil indicou a perigranação que cada um precisaria fazer entre as centenas de atividades do 5o. FSM – são cerca de 2.500 em cinco dias --, dizendo que escolheu o painel da Revolução Digital como seu campo de batalha. “Há no Fórum”, disse o ministro, “uma disparidade de encontros: desde aqueles que ainda tem uma lógica analógica antiquada como os partidos marxistas ou marxistas-leninistas, até aqueles que estão já em uma lógica digital”. E afirmou: “Eu estou com estes últimos”.

Lawrence Lessig, apesar do jeitão de advogado norte-americano circunspecto, o que também é, apresentou quase que um espetáculo multimídia, a partir de seu laptop projetado no telão para o público que acompanhou perplexo sua criatividade. Ele defende o “remix” como uma atitude cultural permanente e para o qual as apropriações e reelaborações das produções culturais passam a ser um novo paradigma. “Free word, free speech, free culture, free world”.

O ex-letrista da legendária banda Grateful Dead e também ex-hippie e agora “libertário do espaço virtual”, como foi chamado, John Perry Barlow está hoje envolvido com a ONG Eletronic Free Frontiers. Concordando com os argumentos de Barlow, para Lessing, aquele que domina a palavra, domina o processo social e portanto os rumos da economia.

Hoje Barlow é uma espécie de lobista às avessas junto ao Senado norte-americano, defendendo a perspectiva de uma internet sem interferências governamentais e da liberdade de expressão dentro dessa nova mídia.

Desdém analógico

Grande parte dos 2.500 painéis do 5o. FSM não encontraram seu espaço no mundo virtual. Mais do que isso, muito acadêmicos chamados a debater sobre o tema do modo como a humanidade se comunica ainda desdenha da internet, ainda que ela já conte com mais de 800 milhões de usuários, em praticamente todos os países do mundo.

O painel da Revolução Digital aponta para situações já existentes e rumos imediatos que, aparentemente, muitos dos participantes teimam em ignorar ou desdenhar. O embate entre o novo e o velho está assim também instalado dentro do próprio Fórum Social Mundial.

Confira aqui a íntegra (agora) em espanhol da palestra de Castells neste sábado, dia 29.

Publicado originalmente no Yahoo! Notícias.

Copyright: parceria Intermezzo & BR Press

Sexta-feira, Janeiro 28

FSM: com um (forte) pé no século passado?

É um desafio (exaustivo) acompanhar a programação do V FSM. Não tanto pelo fato em si que são duas mil atividades propostas por 5.700 organizações de mais de cem países. Um número que supera com facilidade as edições dos fóruns dos anos anteriores. Em 2002, foram 745 atividades realizadas; em 2003, 1402 em 2004, 1.251. O Fórum Social Mundial está crescendo: em número de painéis, em organização interna, em repercussão na imprensa internacional e até no embate simbólico, ao menos, com os líderes de países em todo o mundo. A sombra (ou será a luz?) de Porto Alegre está cada vez mais presente em Davos. E vice-versa.

As dificuldades para bem acompanhar o fórum são de outra ordem. Um calhamaço de 300 páginas resume toda a programação. Seria simples acrescentar nesse calhamaço pouco decifrável os endereços eletrônicos dos sites dos participantes, e-mail para contato ou quem sabe (seria sugerir demais?) até um blog reunindo papers, intervenções, lista de discussão etc... Mas nada há! É fácil perder as informações relevantes ou simplesmente sequer encontrá-las. No site do Fórum não há nenhum mecanismo de busca que permita resgatar informações sobre os dois mil painéis.

A infra-estrutura geral montada para a cobertura - mesmo com todo o esforço dos organizadores - revela-se pouco funcional. São 120 computadores na sala de imprensa que não dão conta de atender os 5,6 mil jornalistas (um recorde em relação às edições anteriores). Além da conexão que cai com relativa constância.

O Cômite Organizador Brasileiro do Fórum estabeleceu quatro parcerias para a cobertura. Para matérias voltadas para a imprensa escrita, há o Ciranda. Um fórum de rádios reúne as emissoras comunitárias presentes em Porto Alegre. As produções de vídeo independentes foram reunidas em um programa chamado Panorama Fórum, disponível via satélite pra TVs comunitárias, universitárias e educativas. E também no Acampamento Internacional da Juventude. Mesmo assim, o resultado final é precário face à multiplicidade (e eventual riqueza) dos debates. Pouquíssimos eventos estão sendo gravados e terão disponível acesso em áudio. E um número menor contará com arquivos audio/vídeo.

Debates? Só presenciais!

Não há nenhuma ferramenta digital possibilitando qualquer tipo de participação online. Seja para o público que eventualmente não conseguiu se deslocar fisicamente até Porto Alegre, seja mesmo para palestrantes renomados. Fritjof Capra, autor do famoso O Tao da Física, e uma das presenças mais esperadas cancelou na última hora sua vinda ao Fórum. Teleconferência? Nem pensar. A atriz Letícia Sabatella o substituiu recitando poemas!

E se você é um dos 120 mil participantes presentes em Porto Alegre e perdeu alguma atividade, esqueça! Será quase inviável resgatá-la em algum suporte digital.

Mídia tradicional versus virtual

Uma queda de braços é constantemente anunciada e analisada no Fórum. Inúmeros painéis chamam para o debate da democratização da mídia e para "práticas contra-hegemônicas" da informação e dos softwares livres. No painel do dia 28, "Observatório da Mídia Global: dois anos depois, para onde ir" chama-se a atenção para a "crise sem precedentes" do setor, com demissões em massa e sua concentração inédita em poucas grandes empresas. Além disso, a mídia vem recebendo fortes investimentos de setores econômicos que não têm nenhum vínculo de origem com a comunicação de massa: indústria eletrônica, telefonia, construção civil, etc... Esse, por exemplo, é o quadro díficil traçado por Ignácio Ramounet, diretor do Le Monde Diplomatique e coordenador do Media Watch Global, entidade que reúne jornalistas, professores e profissionais da mídia da Europa, América do Norte e América Latina.

Já a análise dedicada ao eventual papel dos blogs enquanto um novo gênero jornalístico limita-se a caracterizá-los como muito "subjetivos", possuidores de uma linguagem própria. Passa-se ao largo o papel que vem exercendo e dando demonstrações de autonomia como na cobertura da Guerra do Iraque em 2003, nas recentes eleições norte-americanas ou no 11 de março de 2004 em Madri. Pode ser pouco, mas são ousadias como essas que vêm incomodando a grande imprensa tradicional e levando-a (ainda que parcialmente) a coberturas mais fidedignas e realistas.

Para Venício A. de Lima, jornalista, sociólogo e participante da versão brasileira do debate, mesmo com os dados apontados de que já existiriam cerca de 900 milhões de pessoas conectadas à web em todo o mundo, "a internet não é um meio de comunicação de massa". Toda sua abordagem do "novo fenômeno" é pontuada pelas expressões "cautela na análise", ou ainda "potencial" e "horizonte" para a nova mídia. São teorizações como essa (até aplaudidas!) que ajudam a entender o modo como está estruturado o Fórum Social Mundial, que ignora as possibilidades digitais de participação online e ainda fica fechado dentro de si mesmo. As cinco edições do FSM foram realizadas já no século 21. Mas as concepões com as quais estão estruturadas suas atividades e pretende-se enfrentar problemas históricos do mundo e do Brasil ainda estão fortemente marcadas por um viés do século passado.

Talvez seja um pouco difícil (tentar) mudar o século 21 com conceitos do século 20. Ou não?

Copyright parceria Intermezzo & BR Press

Quinta-feira, Janeiro 27

Tenho mais o que fazer....

Lula não vai encontrar-se com Gates em Davos. Comentário da Miriam Leitão na Rádio CBN: "ele poderia pelo menos tentar saber qual era o assunto". Aqui.

Repercussão

Por conta da cobertura do Fórum Social Mundial, fomos citados no blog Indústrias Culturais (26/01/05) e também na coluna de Nelson de Sá na Folha de S. Paulo (27/01/05). E seguimos em frente... Em tempo, vejam só que coisa curiosa: os blogs espreitam a big media, que agora espreita os blogs. Loucura, daqui a pouco não saberemos quem é media e quem é audiência. Espreitamo-nos a todos. :)

Busca por vídeos

Yahoo! e Google abrem seus sistemas de busca por vídeos (somente conteúdos dos EUA).

Quarta-feira, Janeiro 26

"We The Media" em Português

O famoso "We The Media", de Dan Gillmor, tornou-se "Nós os Media" aqui em Portugal. E por 14,96 euros. :)

FSM 2005: agenda do dia 26

Confira a agenda da quarta, dia 26 no Fórum Social Mundial. Hoje acontece a coletiva geral de abertura e as primeiras coletivas mais concorridas: o argentino Adolfo Perez Esquivel e Leila Khaled, do Conselho Nacional Palestino. Eis a agenda geral do V FSM. (Só em PDF e SXW.Não podia ter uma versão em HTML?).

Memória digital

Epa! Informa a home-page do FSM 2005 que há um site dedicado à memória dos fóruns.
Clico no desta edição. Sob construção! Bem, o fórum propriamente dito ainda não começou. Mas remete à memória dos fóruns anteriores! (Será que me precipitei na crítica feita no post anterior?) "Go to the memory page of former world social forums". Decepção. Cai na mesmíssima memória burocrática já mencionada. Bem, ao menos, localizo em "Biblioteca das Alternativas" 28 documentos que dariam conta de "balanços e avaliações do FSM 2004"

Cobertura alternativa

A proposta do FSM 2005 é que a mídia alternativa tenha papel de destaque na cobertura: "O conceito de cobertura compartilhada e livre vem sendo construído pelas mídias alternativas desde a primeira edição do Fórum Social Mundial, em 2001.", informa a homepage.

O Ciranda.net é a ferramenta de cobertura alternativa do V FSM. Qualquer veículo independente pode participar. É uma espécie de grande cobertura coletiva. As matérias passam por uma edição rápida antes de ser publicada.

Acho que a parceria Intermezzo/BR Press deve manter sua cobertura independente. Mas taí uma boa pauta. Vamos verificar como funciona. E tentar acompanhar essas coberturas múltiplas.

Copyright parceria Intermezzo & BR Press

Terça-feira, Janeiro 25

Um fórum pré-digital?!

Do ponto de vista da organização em si do evento, a interface DIGITAL do Fórum Social Mundial tem sido muito boa, para não dizer quase exemplar. Credenciamento, hospedagem, informações da agenda, quase tudo está funcionando com facilidade a partir do site do Fórum.

Entretanto do ponto de vista do CONTEÚDO dos debates que mobilizam dezenas de milhares de pessoas em mais de 70 países, o Fórum não tem praticamente nenhuma dimensão digital. Bem, ainda escrevo daqui de São Paulo, tentando me municiar de informações preliminares.

Utilizando os vários recursos de pesquisa, encontro informação apenas na mídia de forma geral. A partir do site e de seus links conexos? Muito pouco, vago e burocrático.

Não há como acessar os diversos papers apresentados nas centenas de oficinas das quatro edições anteriores. Inexistem listas de discussão ou blogs apensados ao Fórum - essas ferramentas tão fáceis e acessíveis que se propagaram pelo mundo destrinchando os mais variados problemas sob as mais diversas óticas.

Relatórios dos fóruns dos anos anteriores? Confira-se, por exemplo, o "Memória" de 2004. Não ultrapassa meia página burocrática e um documento da abertura do encontro.

Pra piorar, o mapa do site simplesmente não funciona. Bem, existem 4 links inseridos no campo links! Fiquei quase uma hora tentando recuperar uma informação importante e não a localizei novamente dentro do site: a de que nesta terça-feira, dia 25/1, seria uma dia de debates sobre mídia e comunicação, precedendo a abertura oficial do encontro. Tentei de todas as formas e maneiras. Nada!

Até onde a vista alcança, os debates são predominantemente, ou quase que exclusivamente, presenciais.

Em resumo, a mídia internet - e seus recursos como tecnologia de inteligência, como conceitua Pierre Levy - é deixada de lado como uma plataforma ampla e imediata para debates.
"A inteligência coletiva (...) é praticada no mundo dos negócios, da política - ou, para falar de uma maneira mais ampla, o da cidadania. Hoje, muitas comunidades locais, muitos governos de vários países estão tentando aprofundar os processos de consulta da população, os processos de democracia deliberativa através de fóruns de discussão sobre questões de política local. Seria uma ciberdemocracia.", afirma Levy.

No início do século 21, com centenas de milhões de pessoas conectadas à internet, realizar um fórum mundial ainda em formato pré-digital?

Bem, vamos aguardar mais um pouco, se deslocar até Porto Alegre e conferir de perto o que acontece.

Copyright parceria Intermezzo & BR Press

Intermezzo no Fórum Social Mundial

O blog Intermezzo realizará a cobertura do Fórum Social Mundial em parceria com a agência noticiosa BR Press. O nosso enviado à capital gaúcha é o jornalista Sérgio Corrêa Vaz. No post abaixo, ele explica que o foco de cobertura será o campo da comunicação, como não poderia deixar de ser. Esperamos que acompanhem e participem tecendo comentários. :)

Segunda-feira, Janeiro 24

5,6 mil jornalistas credenciados para o Fórum Social Mundial

Segundo os organizadores, o Fórum Social Mundial já conta com 5.623 jornalistas credenciados de mais de 70 países, representando mais de 1.600 veículos. Entre os profissionais, 25% são free-lancers. Talvez seja um dos eventos com maior cobertura nacional e internacional entre aqueles concentrados em uma única cidade do Brasil. Talvez páreo apenas para a ECO-92 na cidade do Rio de Janeiro (alguém conseguiria resgatar esses dados?)

O Intermezzo em parceria com a agência de notícias BR Press estará também cobrindo o evento. O foco? As questões de comunicação. Não será aqui no weblog Intermezzo o espaço mais natural para debater os conteúdos das propostas sociais e econômicas do Fórum. Os posts e os debates a sugerir deverão ter um cunho ACADÊMICO no bom sentido do termo: analisar as questões afeitas à área de comunicação e correlatas.

Dentro desse território já há uma extensa pauta a destrinchar.
Os debates das questões socias e econômicas quanto ao seu MÉRITO já têm seus múltiplos espaços (presenciais ou virtuais) adequados. Sugerimos que eventuais debates e intervençoes que extrapolem os propósitos do Intermezzo sejam preferencialmente encaminhados em PVT.

Em tempo, os posts dessa colaboração terão seus direitos autorais restritos ao Intermezzo em parceria com a BR Press. Não se permitindo assim sua reprodução sem prévia autorização.

Para MIT, internet é a maior invenção dos últimos 25 anos

Sim, creio que é preciso reconhecer: embora poucos assinem embaixo, dentro da Academia (ao menos no Brasil), muitos ainda torçem o nariz para a internet.

Fenônemo "menor", "superdimensionado", "menos importante do que o rádio no século XX". Esses são alguns argumentos que se escutam nos corredores da Academia, mas que poucos escrevem, fazendo sua defesa literal. A resistência conservadora ao universo digital é um tanto calada ou pelas beiradas.

Há exceções, claro! Felizmente e já não são tão poucas. Mas é preciso ter presente que essa ainda não é visão predominante ou consensual (a da importância do invento da internet e, dentro da área de comunicação, de sua relevância como mídia de massas nessa passagem de século).

Segundo The Lemelson MIT Program, a internet é o destaque desde que esse levantamento começou a ser feito em 1980.

Para o mais prestigiado instituto de tecnologia dos EUA (o país que ainda é a Meca tecnológica, malgrado um certo declínio do império norte-americano), a internet é a mais relevante das invenções dos últimos 25 anos.

Conheça um pouco mais sobre The Lemelson MIT Program.

O jornalista como arquiteto do labirinto

Está disponível no site da Revista Latinoamericana de Comunición Chasqui um interessante texto de José Luis Orihuela: "El ciberperiodista: entre la autoridad y la interactividad". Interessante e muito em sintonia com o que vemos nas obras de Beth Saad (Estratégias para a Mídia Digital), de Lúcia Leão ("O Labirinto da Hipermídia" ou "Hypermedia as Labyrinth") e de outros pesquisadores do Brasil.

Sexta-feira, Janeiro 21

Blog para as eleições

A SIC anunciou nesta sexta que criará um blog para cobrir as eleições legislativas aqui em Portugal. É esperar para acompanhar.

Cobertura online

É possível acompanhar pela web o "VI Congreso Nacional de Periodismo Digital" (20 e 21/01, Huesca, ESP).

Quinta-feira, Janeiro 20

Desmontando Salvador Dalí

Vale a pena navegar pela reportagem multimídia "Desmontando a Dalí", produzida pelas jornalistas Dolors Pou e Eva Rosado, do La Vanguardia.es, e grande vencedora do "Premio de Periodismo Digital 'José Manuel Porquet'". Mais info.

Observatorio de Periodismo de Internet

As universidades espanholas Carlos III de Madrid, Autónoma de Barcelona e Antonio de Nebrija acabam de lançar, com apoio da Fundação Telefónica, o "Observatorio de Periodismo de Internet". O OPI nasce com o objetivo estudar os impactos das tecnologias na prática jornalística e nos distintos meios de comunicação, sobretudo no âmbito espanhol e latinoamericano. De acordo com texto do La Vanguardia (íntegra também enviada para a lista do Intermezzo), o observatório está aberto para a participação de outras universidades.

Quarta-feira, Janeiro 19

O caso "pirâmide invertida" no ciberjornalismo (atualização)

A discussão sobre o uso (ou não) da pirâmide invertida no ciberjornalismo começou no congresso de Santiago de Compostela, Espanha, em 2004, ganhou força aqui no Intermezzo e agora é retomado por Carlos Castilho no Observatório da Imprensa e também por José Paulo Lanyi no Comunique-se.

Em tempo: por que essas repercussões não trazem as vozes de todas as fontes envolvidas na história?

(Um momento familiar...)

Breve pausa para um momento de emoção: está no ar o blog "Segurança Veicular", mantido pelo engenheiro Marcelo Bertocchi. Que orgulho de ser irmã desse cara. E que saudade, meu Deus.

e-Livros

"Cuatro razones por las que los libros electrónicos deberían triunfar, y otras cuatro por las que nunca lo harán". Aqui no La Vanguardia.

Segunda-feira, Janeiro 17

Blogueiros e Fontes

Os blogueiros são ou não jornalistas e devem (ou não) estar protegidos pelas mesmas leis que regem o jornalismo? E, em tempo: quem decide isso? A conferir: "Apple Processou Três Blogues por Divulgação Antecipada de Novos Produtos", no Público desta segunda.

Quarta-feira, Janeiro 12

O nascimento do Pós-ocidente

Por que não dá mais para falarmos em um "Ocidente"? O que é o "Pós-ocidente"? E o que o Google tem a ver com isso? O historiador britânico Timothy Garton Ash, em entrevista concedida ao jornal Folha de S. Paulo, dá respostas para essas questões. (O link funciona somente para os assinantes do UOL/Folha. Enviei a íntegra para o Intermezzo-lista).

E o debate continua...

A discussão sobre o uso (ou não) da pirâmide invertida no ciberjornalismo começou no congresso de Santiago de Compostela, em 2004, ganhou força aqui na blogosfera e agora é retomado por Carlos Castilho no Observatório da Imprensa.

Terça-feira, Janeiro 11

Maffesoli na Universidade do Minho

Michel Maffesoli, nome ilustre da sociologia francesa contemporânea e um influente pensador da sociedade pós-moderna, estará na Universidade do Minho, campus de Gualtar, Braga, Portugal, nesta sexta (14), às 9h30, para proferir a conferência "Imaginaire et post-modernité". A iniciativa é do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade. Imperdível.

Quarta-feira, Janeiro 5

Internautas: a dança dos números



Quantas centenas de milhões de pessoas já estão conectadas à internet em todo o mundo?

Segundo a International Communication Union, ITU, organismo que está sob o guarda-chuva da ONU, seriam 700 milhões de internautas em 2004.

Porém, para a Computer Industry Almanac, já seriam, no final de 2004, mais de 900 milhões.
E assim, a marca de um bilhão de internautas seria ultrapassada ainda neste ano de 2005. Podendo chegar a até 1,2 bilhão de usuários!

Confira matéria da Agência Estado, quarta, 5 de dezembro:

"A Computer Industry Almanac (CIA), empresa que analisa a performance da internet em 57 países nas seis principais regiões do mundo, prevê que a rede terá mais de 1,2 bilhão de usuários até o final de 2005, o que representará um aumento de 40% em relação a 2004."


Esses números são importantes para subsidiar (de forma complementar, ao menos) duas relevantes questões conceituais:

Primeira, pode a internet ser considerada uma mídia PRÓPRIA?
Segundo, caso sim, pode a internet ser considerada uma mídia de MASSA?

Pessoalmente, minha leitura do desenvolvimento da internet (o que inclui a quantidade de seus usuários) tende a responder a sim para ambas as questões.

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links, ok.

Blog faz as contas: ajuda dos EUA é ridícula

Mais uma vez blog fura grande imprensa:

"O blogueiro Frank Boosman, que toca o corretamente político blog Pseudorandom, fez as contas e concluiu que a ajuda financeira de US$ 350 milhões dada pelos Estados Unidos às vítimas do maremoto na Ásia é ridícula.

O comentário está repicando em blogs de todo o mundo."

"Just to put things in perspective", afirmou Boosman.

Matéria da Agência Estado.

No comments!
;-)

Terça-feira, Janeiro 4

Tsunami: velocidade das mídias e (des)informação

No domingo, dia 26 de dezembro, no Oceano Índico, existiria tempo hábil para alerta dos maremotos e, portanto, teriam falhado fragorosamente as redes de comunicação?

Ou, ao contrário, pouco havia a se fazer a não ser correr atrás do prejuízo? E, sendo assim, o papel das diversas mídias ficaria praticamente reduzido a cobrir os eventos e não a também alertá-los?

Em outras palavras, qual seria a velocidade possível do fluxo de informações nas redes de comunicação em seus diversos suportes: telefonia, internet, televisão, rádio etc.. nesse episódio?

No “tsunami de desinformação” que precedeu e se seguiu ao tsunami nos mares, pode-se diferenciar dois cortes distintos para análise.

Creio que primeiro o que mais chama a atenção são as observações diversas de especialistas (geólogos e sismólogos) indicando que a inexistência de uma rede de alerta entre governos e países fez fracassar medidas preventivas viáveis.

Apenas quinze minutos após o tremor, o Centro de Prevenção de Honolulu emitiu um primeiro alerta que não chegou aos 26 países atingidos no Índico (fato amplamente noticiado).

O primeiro tremor de terra foi detectado praticamente de imediato. Mas não havia uma rede de comunicação (que, ao que tudo indica, passaria pelos governos) para avisos em tempo hábil e que pudessem se espalhar pelos litorais dos países atingidos no tempo de uma a três horas.

Repasso trechos de matéria do jornal “O Estado de S. Paulo”, do dia 28 de dezembro, p. A14 (não encontrei link acessível).

Sistema de alerta poderia ter salvado muitas vidas

Peritos em tsunami enfatizam que onda demorou de uma hora e meia a duas horas para chegar às costas de lugares devastados.

Peritos em tsunami avaliam que seria possível minimizar os efeitos decorrentes do maremoto de domingo na costa Indonésia se os países mais afetados, como Sri Lanka e Índia, no Oceano Índico, integrassem uma rede de alerta sobre esse fenômeno. (...)
(...) alertas imediatos podem dar tempo suficiente para remoção de populações, disse o perito em tsunami Tad Murty, da Universidade de Manitoba, no Canadá, convencido de que a devastação seria bem menor
(...)
Outros cientistas expressaram opiniões semelhantes num encontro de uma comissão oceanógráfica ligada à ONU, mas os países do Índico nunca mostraram iniciativa para isso. "Eles veêm isso (os tsunamis) como um problema do Pacífico", afirmou Murty. "Acho que depois dessa tragédia, vão mudar de idéia".
Também David Applegate, do Instituto Geológico dos EUA, responde categoricamente com um "não", ao ser indagado sobre a inevitabilidade da tragédia.


(Outras matérias indicavam que o maremoto demorou até seis horas para se espalhar por todo o Índico).

Este primeiro corte é assim o do tempo imediato entre o tremor até o limite de seis horas e do ponto de vista das vítimas.

Ou seja, após o tremor e antes do maremoto chegar ao litoral no dia D, dia 26 de dezembro de 2004, as indicações são de que o papel da mídia foi quase que inexistente ou ao menos ineficaz. Não há testemunhos (entre o material que tomei conhecimento, ao menos) que alguém tenha sobrevivido por ter sido noticiado por alguma mídia qualquer do avanço dos maremotos.

Em outras palavras, a velocidade e coordenação das redes de comunicação (incluindo governos) foi lenta e desconexa.

Um segundo corte seria a cobertura das diversas mídias internacionais e a posteriori, ou seja nos DIAS SEGUINTES ao evento quanto à qualidade e consistência das informações levantadas.
Cobertura caracterizada por um tom bombástico da quase inevitabilidade frente às forças da natureza. E adicionalmente marcada por um grande desencontro de informações (a cada dia eram complementadas e ampliadas numa escala sem precedentes).

Aos poucos, as diversas mídias conseguiram reorganizar lentamente a consistência e o conjunto das informações. A ênfase passou para o caráter humanitário da ajuda e dos esforços de reconstrução e também de crítica à ineficiência ou mesmo relutância dos governos ocidentais.

Neste segundo ângulo de análise, as mídias (inclusive a internet) recuperaram um papel informativo mais pleno e com informações mais coerentes.

Informações adicionais:

Prevenção contra tsunamis não chegou ao Índico - Experiência do Havaí e sistema de monitoramento da Noaa poderiam ter inspirado autoridades da Ásia a montar serviço de alerta eficiente.

Associação dos Engenheiros da Petrobrás - Apet

La NOAA tiene sus centros de advertencia ubicados en Hawaii y Alaska y pueden emitir una advertencia sobre una ola de marea a los 15 minutos después de un terremoto que advierte eficazmente cuando estas olas llegan desde muy lejos.

"Faltam sistemas de alerta"

Mejora tiempo de alerta ante tsunami

Pacific Tsunami Warning Center

The Tsunami Page

É hoje...

"Microsoft pode comprar o Terra - O sonho da Microsoft é um portal Terra-MSN, que seria imbatível não só na Espanha, mas em toda a América Latina". João Magalhães explica.

Internet no pós-tsunami

O "tsunami" é (mais) um marco no desenvolvimento da Internet? Texto da Redação do UOL aposta que sim. A conferir. (Em tempo: como escreveu o colega Sérgio Corrêa Vaz na lista discussão do Intermezzo, a Internet teve papel central após o tsunami, ou seja, nos dias posteriores ao desastre; nas primeiras horas, entretanto, parece-nos que deixou um pouco a desejar, não?).

Criada a Folha-UOL S.A

A Folha e o UOL (Universo Online) passaram a integrar uma mesma companhia, a "holding" Folha-UOL S.A. Com a fusão das duas empresas, o grupo se torna na prática o segundo conglomerado de mídia do Brasil, com faturamento estimado em R$ 1,3 bilhão. A família Frias manterá o controle da Folha-UOL com 79% das ações. Os restantes 21% são detidos pela Portugal Telecom, a qual se torna, desta forma, a primeira companhia estrangeira a ter presença acionária em um grande jornal brasileiro desde que a Constituição foi alterada, em 2002, para permitir que capitais estrangeiros pudessem ingressar, até o limite máximo de 30%, em empresas nacionais de comunicação. Íntegra de notícia: aqui.

Blogosfera: criadores e leitores

"Dan Gillmor on Grassroots Journalism" traz-nos a informação de que o número de leitores de weblogs está crescendo mais rápido do que o número de criadores de weblogs nos EUA. Trata-se de um estudo da Pew Internet & American Life Project. O Diário de Notícias apresenta hoje alguns detalhes do estudo:

- A leitura de blog nos EUA cresceu 58% em 2004;
- São 8 milhões de blogueiros e 32 milhões de leitores de blogs (de um total de 120 milhões de utilizadores adultos nos Estados Unidos);
- Destacam-se na opinião dos leitores os blogs que tratam de política (vide a campanha eleitoral para as presidenciais norte-americanas);
- 62% dos internautas norte-americanos não têm a certeza sobre o que é um blog, contra os 38% que afirmam saber do que se trata;
- 57% dos criadores de blog são homens e 48% têm menos de 30 anos.